Medir os níveis de uma proteína inflamatória conhecida como HMGB1 pode ajudar a diagnosticar hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (HPPN) e monitorizar a sua progressão, de acordo com um estudo em doentes e ratinhos, publicado no International Journal of Medical Sciences.
A asfixia (privação de oxigénio) durante o período perinatal pode resultar em HPPN, caracterizada por aumento da pressão sanguínea nos pulmões após o nascimento e por causar danos no cérebro e noutros órgãos.
Juntamente com fatores inflamatórios como o TNF-alfa e a interleucina (IL) -6, foram encontrados altos níveis de HMGB1 em pacientes com hipertensão arterial pulmonar idiopática (HAP), bem como em ratinhos com hipóxia crónica (oxigénio reduzido). O uso de anticorpos direcionados a essa proteína retardou a progressão da HAP.
Uma equipa de investigadores chineses avaliou se estas mudanças nos níveis de HMGB1 também ocorriam na HPPN. Para isso, analisaram amostras de sangue de 12 recém-nascidos diagnosticados com HPPN e em ratinhos. Os resultados mostraram que os níveis de HMGB1 foram significativamente mais altos em recém-nascidos com HPPN, em comparação com recém-nascidos saudáveis. Foram encontrados resultados semelhantes nos níveis de TNF-alfa e IL-6. Quanto mais altos os níveis de HMGB1, maior a quantidade de TNF-alfa e IL-6 no sangue, tanto no início da HPPN quanto na remissão.
Tal como aconteceu em doentes, a pressão arterial pulmonar média e os níveis de HMGB1 foram maiores no grupo de ratinhos com HPPN do que nos ratinhos saudáveis. Um dia após a indução da HPPN, a parede das arteríolas pulmonares nos animais era mais espessa e o lúmen (interior) era mais estreito do que nos ratinhos saudáveis. No entanto, as alterações das arteríolas pulmonares não foram tão graves. Para além do sangue, os níveis de HMGB1 também foram mais altos nos pulmões de ratinhos com HPPN.
De um modo geral, "estes resultados indicam que as mudanças nos níveis de HMGB1 estão relacionadas com a ocorrência e desenvolvimento da HPPN", escreveram os cientistas. "As alterações na HMGB1 podem, portanto, ser usadas como um indicador precoce para diagnosticar a HPPN induzida por hipóxia".