
A perda de uma hormona chamada secretina (SCT) induz hipertensão e alterações estruturais no coração e nos pulmões, segundo um estudo realizado em ratinhos, publicado na revista Nature Scientific Reports.
A SCT é libertada pelas células do intestino e do cérebro, e os seus recetores existem em níveis elevados no coração e nos pulmões. Estudos anteriores mostraram que a SCT reduz a pressão arterial no coração, aumenta o fluxo sanguíneo cardíaco e regula o equilíbrio da água e dos sais, entre outros mecanismos. Sabe-se que os níveis de SCT no sangue são consideravelmente mais baixos em pessoas com insuficiência cardíaca congestiva.
No entanto, "nenhum estudo mostrou ainda a importância da SCT nestes sistemas nem explicou como a SCT desempenha um papel na regulação da pressão arterial", referiram os investigadores. A equipa investigou o impacto que a perda de SCT tem para o coração e para os pulmões, usando ratinhos em que o gene que codifica a secretina foi “apagado”. Os ratinhos sem SCT mostraram um aumento da pressão arterial, hipertrofia (aumento) do ventrículo direito e fibrose.
A perda de secretina também levou à hipertensão arterial pulmonar (HAP), que foi demonstrado pelo aumento da pressão sistólica do ventrículo direito em ratinhos sem SCT. Este aumento foi detectado aos 3 meses de idade e mantido até os 12 meses de idade. O aumento do ventrículo direito, outra característica da HAP, também foi observado em ratinhos com 3 meses de idade com deficiência de SCT. Os ratinhos sem SCT também mostraram alterações no tecido pulmonar: aumento significativo na espessura da artéria pulmonar, alterações estruturais graves nos vasos sanguíneos (remodelação vascular) e inflamação.
Verificaram-se outras alterações associadas à completa falta de SCT, como níveis mais baixos de óxido nítrico (NO) e do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF). Segundo os investigadores, de acordo com o papel do VEGF no estímulo da produção de NO para ampliar os vasos sanguíneos, estes resultados sugerem que a falta de SCT pode levar a uma vasoconstrição persistente e a uma pressão arterial elevada. Por outro lado, os níveis de aldosterona eram mais altos do que o normal no plasma e no coração de ratinhos sem SCT, como observado em pessoas com insuficiência cardíaca congestiva.
Os cientistas testaram se a administração de SCT durante três meses podia efetivamente tratar a hipertensão. Ratinhos com três meses de idade sem SCT receberam esta hormona e, após três meses, mostraram espessamento significativamente reduzido das artérias cardíacas e pulmonares, bem como uma redução na inflamação cardíaca. De um modo geral, os resultados sugerem que "a SCT pode ser uma hormona essencial para os sistemas cardiovascular e pulmonar em humanos, uma vez que a sua deficiência pode resultar em hipertensão pulmonar e sistémica em ratinhos", segundo os investigadores.
Acrescentam ainda que “medir os níveis de SCT pode fornecer informações interessantes".
Acrescentam ainda que “medir os níveis de SCT pode fornecer informações interessantes".
Fonte: Pulmonary Hypertension News