
De acordo com um novo estudo, publicado no Journal of Thoracic Disease, doentes com hipertensão pulmonar tromboembólica crónica (CTEPH) que apresentam valores de fluxo sanguíneo, oxigenação arterial e função cardíaca abaixo do normal, poderão estar a sofrer de apneia obstrutiva do sono (AOS).
A AOS é um fator de risco para doenças cardiovasculares, como a hipertensão pulmonar (HP), insuficiência cardíaca e doença arterial coronária. Estudos anteriores mostraram também que a AOS é um fator de risco independente para o tromboembolismo venoso (TEV), que consiste na formação de um coágulo sanguíneo numa veia profunda - geralmente na perna – que migra posteriormente para os pulmões, bloqueando uma artéria (fenómeno também conhecido como embolia pulmonar).
A CTEPH, que se caracteriza por ser uma obstrução crónica das principais artérias pulmonares, é uma consequência a longo prazo de uma embolia pulmonar aguda. Sabe-se que os fatores de risco para o TEV foram identificados como sendo também fatores de risco para a CTEPH, o que é concordante com a elevada prevalência de AOS em doentes com CTEPH. No entanto, a ligação entre a CTEPH e a AOS ainda não é clara.
Com o objetivo de esclarecer essa ligação, uma equipa do Hospital Fuwai, do Centro Nacional de Doenças Cardiovasculares da China, realizou um estudo retrospetivo em 57 doentes com CTEPH. Os investigadores concluíram que a AOS não afetava significativamente a função pulmonar. No entanto, em doentes que tinham CTEPH e AOS, a pressão parcial de oxigénio era significativamente menor (60.13% vs. 68,22%), bem como e saturação de oxigénio (90.32 vs. 93,26%), o que está de acordo com estudos anteriores.
O estudo identificou como factores associados à AOS em doentes com CTEPH: a hemoglobina, a saturação de oxigénio, as classes funcionais III-IV da OMS (que representam maior gravidade da doença) e o peptídeo natriurético pró-cerebral (um biomarcador da hipertensão arterial pulmonar que é produzido em resposta a mudanças na pressão interna no coração). Verificaram também que os parâmetros hemodinâmicos (relacionados com o fluxo sanguíneo), como a pressão média no átrio direito (uma das câmaras superiores do coração), a pressão arterial pulmonar média, o índice cardíaco (débito cardíaco dividido pela área de superfície corporal) e resistência vascular pulmonar também estavam associados à AOS em doentes com CTEPH.
Segundo os cientistas “a AOS pode agravar o quadro clínico dos doentes com CTEPH até certo ponto. Por sua vez, a diminuição do fluxo sanguíneo, do estado de oxigenação e da função cardíaca estão associados à AOS na CTEPH, sendo o índice cardíaco o parâmetro mais importante para indicar a coexistência de AOS e CTEPH ”.
Os resultados deste estudo vêm reforçar a importância de reconhecer e tratar a AOS em doentes com CTEPH.
Fonte: Pulmonary Hypertension News