Níveis elevados de certas lipoproteínas de alta densidade (HDLs), que constituem o já conhecido “bom colesterol”, estão associadas ao aumento da sobrevivência em doentes com hipertensão arterial pulmonar (HAP), de acordo com um estudo recente publicado na revista Thorax.
 
As HDLs são proteínas importantes no transporte de moléculas de gordura (como o colesterol) para o exterior dos tecidos, provocando vasodilatação, efeito anti-inflamatório e uma maior proteção do endotélio (parede interna dos vasos sanguíneos).
 
Estudos anteriores demonstraram que a manipulação de certas HDLs estava associada a uma redução da hipertensão pulmonar. No estudo agora publicado, os investigadores propuseram uma correlação entre os níveis de HDL e o prognóstico dos doentes com HAP, bem como a possibilidade daquelas moléculas poderem ser usadas como alvos terapêuticos.
 
O estudo sugere que a proteína Apo A-2 (uma das proteínas mais abundantes no HDL) mostrou uma maior associação com a sobrevivência dos doentes. Sabe-se que algumas proteínas associadas à Apo A-2 estão envolvidas na regulação da fibrinólise (processo que previne a coagulação sanguínea) e vasodilatação, ambos comprometidos em doentes com HAP.
 
Os resultados mostraram também que em doentes com HAP sujeitos ao tratamento com estatinas (fármacos usados no tratamento do colesterol elevado), os níveis de mau colesterol (LDL) eram mais baixos, enquanto que os níveis de HDL não sofriam alterações. Estes resultados estão de acordo com estudos anteriores, que mostraram não haver efeito das estatinas na capacidade de exercício físico, função cardíaca ou sobrevivência em doentes com HAP.
 
Apesar de apresentar resultados animadores, este estudo requer uma investigação mais aprofundada sobre o potencial benefício terapêutico dos níveis elevados do HDL em doentes com HAP.