
Uma dieta anti-inflamatória com altas quantidades de proteína, óleo de peixe, o aminoácido leucina e oligossacarídeos reduziu as alterações no músculo cardíaco e esquelético num modelo de hipertensão arterial pulmonar (HAP) em fêmeas de ratinhos, segundo um estudo publicado na revista Scientific Reports.
“A intervenção nutricional com níveis elevados de proteína, leucina, óleo de peixe e oligossacarídeos tem mostrado efeitos benéficos na atrofia do músculo esquelético em ratinhos. Este efeito poderá indicar um potencial tratamento para a HAP, tendo como alvos as deficiências cardíacas e músculo-esqueléticas”, afirmaram os investigadores.
A leucina é um aminoácido encontrado em alimentos ricos em proteínas (carne, produtos lácteos e algumas leguminosas) e é conhecido por retardar a degradação muscular; os oligossacarídeos são moléculas de açúcar curtas encontradas em muitos vegetais e desempenham um papel importante na saúde do trato gastrointestinal.
Neste estudo, uma equipa de investigadores da Universidade de Wageningen, na Holanda, decidiu avaliar os efeitos de uma dieta anti-inflamatória rica em proteínas, óleo de peixe, leucina e oligossacarídeos no coração e no músculo esquelético em fêmeas de ratinhos induzidos com HAP.
Para induzir o desenvolvimento da HAP, os investigadores trataram os animais com injeções semanais de monocrotalina (MCT) - uma toxina natural presente em plantas e que é normalmente usada para desencadear sintomas semelhantes aos dos humanos com hipertensão pulmonar - por oito semanas.
Os ratinhos foram aleatoriamente divididos em três grupos:
- O grupo controlo, no qual os animais não foram tratados com MCT para desenvolver HAP, e permaneceram numa dieta-padrão;
- O grupo MCT, no qual os animais tratados com MCT permaneceram numa dieta-padrão;
- O grupo MCT + NI, no qual os animais tratados com MCT foram alimentados com uma dieta rica em proteínas, óleo de peixe, leucina e oligossacarídeos que tinham o mesmo número de calorias que a dieta-padrão.
Os resultados mostraram que os ratos tratados com MCT tiveram um aumento de 7% no peso do coração, um aumento de 13% na espessura do ventrículo direito, e um aumento de 60% na quantidade total de tecido cicatrizado (fibrose) no coração, comparativamente com os animais do grupo controlo.
É importante salientar que a dieta anti-inflamatória experimental atenuou o aumento do peso do coração, a espessura do ventrículo direito e a quantidade de tecido cicatrizado encontrado nos corações dos animais tratados com MCT.
O estudo revelou ainda um aumento significativo nos níveis de expressão de genes envolvidos na cicatrização de tecidos no MCT em animais tratados, em comparação com o grupo controlo. Os níveis aumentados de expressão de genes fibróticos observados em ratinhos tratados com MCT diminuíram significativamente entre animais alimentados com a dieta anti-inflamatória.
Os investigadores descobriram também que enquanto os ratos tratados com MCT tiveram um aumento de 22% na atrofia do músculo esquelético (encolhimento), os animais tratados com MCT que foram alimentados com a dieta anti-inflamatória não mostraram sinais de atrofia muscular.
No geral, "uma intervenção nutricional de múltiplos compostos que fornece maiores quantidades de proteína, leucina, óleo de peixe e oligossacarídeos atenuou significativamente as alterações cardíacas e músculo-esqueléticas num modelo feminino de hipertensão pulmonar", referiram os investigadores. Segundo esta equipa, “estes resultados fornecem orientações para um estudo mais aprofundado para desenvolver novas estratégias terapêuticas para prevenir alterações fisiopatológicas na hipertensão pulmonar”.
Fonte: Pulmonary Hypertension News