Segundo um estudo publicado pela revista Respiratory Research, vesículas pequenas, chamadas exossomas, libertadas pelas células estaminais mesenquimais, ajudaram a facilitar o remodelação vascular em ratinhos-modelo de hipertensão pulmonar (HP).
A remodelação vascular, uma característica da HP, caracteriza-se por uma proliferação de células musculares lisas anormais e uma perda de células endoteliais (aquelas que revestem o interior dos vasos sanguíneos), promovendo um desequilíbrio na pressão arterial e, finalmente, na HP.
Estudos anteriores sugeriram que as células estaminais mesenquimais (CEMs) produzem exossomas que ajudam a reduzir a remodelação vascular. Os exossomas são pequenas vesículas libertadas pelas células que transportam proteínas e ácidos nucleicos, como RNA e DNA, para outras células. Quando as células recetoras interagem com os exossomas, reagem e mudam o seu comportamento.
Os mecanismos moleculares subjacentes aos benefícios destes exossomas na HP permanecem, no entanto, desconhecidos.
Uma equipa liderada por investigadores do Second Hospital of Shandong University, na China, investigou como os exossomas das CEMs diminuíram a remodelação vascular em ratinhos-modelo de HP de induzidos por monocrotalina.
O grupo cultivou CEMs oriundas de cordões umbilicais humanos para obter os exossomas e começaram por testar se estes interagiam com as células endoteliais, tendo confirmado que os exossomas foram realmente absorvidos pelas células endoteliais arteriais pulmonares (PAEC). Injetaram, então, os exossomas em ratinhos-modelo e estes animais mostraram uma redução significativa na remodelação vascular pulmonar e no dano do ventrículo direito no coração, em comparação com ratinhos não tratados. O tratamento com exossomas diminuiu também a espessura da parede do vaso, bem como o tamanho do ventrículo direito e o grau de cicatrização (fibrose).
A nível celular, os exossomas reduziram os níveis de um gene cuja proteína promove fibrose, enquanto aumentou os níveis uma proteína específica de células endoteliais.
Análises moleculares posteriores revelaram que os exossomas aumentaram os níveis de uma proteína que é conhecida por reduzir a proliferação de células musculares lisas e aumentar a proliferação de células endoteliais.
A equipa investigou ainda os efeitos dos exossomas na capacidade de migração e de formação de capilares das células endoteliais arteriais pulmonares, tendo observado que o tratamento de células com exossomas melhorava a formação de redes capilares, bem como a adesão e contração celular daquelas células.
"Este estudo sugere que o MSC-exo [exossomas] pode "atenuar a remodelação vascular pulmonar da HP", referiram os investigadores. No entanto, os mecanismos moleculares "não podem ser esclarecidos no presente estudo e precisariam de mais investigações", acrescentaram.