Testemunho de Eleanor Bird
Manter um emprego quando se tem uma doença crónica pode ser difícil. Tem de haver tempo para os compromissos profissionais e para a doença, o que pode tornar impossível ir atrás do emprego dos seus sonhos.
Fui diagnosticada com hipertensão pulmonar no verão depois de me licenciar na universidade. O mundo devia estar aos meus pés. Eu já só pensava em mudar-me para Londres, onde os meus amigos estavam, com um bom emprego. Em vez disso, acabei por deixar de trabalhar por um tempo... e a morar com meus pais.
Era o mais correto que eu podia fazer na altura, mas assim que a minha medicação entrou em ação, senti-me um pouco mais estável e achei que era realmente importante para mim tentar voltar ao trabalho. Não tinha a certeza de que tipo de trabalho é que ia resultar comigo, mas acabei por me candidatar ao emprego dos meus sonhos e achei que só ia preocupar-me com o resto se realmente conseguisse o trabalho!
Depois de agendar uma entrevista, comecei a preocupar-me em negar minha condição. Eu sabia que tinha de lhes contar, porque a doença é algo que me afeta no dia-a-dia. Tudo o que podia fazer era esperar que eles fossem compreensivos. Quis impressioná-los adequadamente na entrevista, até que me ofereceram o trabalho como relações públicas (uau!). Mais tarde, enviei-lhes um e-mail a explicar a minha situação.
Tive muita sorte porque eles foram muito compreensivos. O meu chefe teve experiência com doenças crónicas, e percebeu que eu podia precisar de tirar algumas folgas. Tive de falar com os recursos humanos e chegar a um acordo sobre o que seria um plano de trabalho viável para mim. Eles também fizeram de tudo para que eu pudesse trabalhar em casa alguns dias.
Sei que nem todos os locais de trabalho são flexíveis, mas, pela minha experiência, se formos honestos sobre as nossas limitações e estivermos dispostos a trabalhar duro, poderão entender-nos melhor do que imaginamos.
Ter um emprego que amo renovou a minha razão de ser e a ambição que perdi depois do meu diagnóstico. Obviamente, um emprego com um horário normal não é possível para toda a gente que tenha uma condição de saúde complexa, mas trabalhar como freelancer, ou em regime de part-time, ou mesmo como voluntário, pode realmente ajudá-lo a ter autonomia e independência.