Uma nova meta-análise que avaliou a angioplastia pulmonar com balão (BPA) e Adempas (riociguat ) no tratamento da hipertensão pulmonar tromboembólica crónica (CTEPH) inoperável mostrou que ambas as estratégias de tratamento eram bem toleradas e capazes de melhorar a tolerância ao exercício e a função do sistema circulatório. O estudo foi publicado na revista Clinical Cardiology.
O “gold standard” para o tratamento da CTEPH é um procedimento cirúrgico denominado tromboendarterectomia pulmonar, mas nem todos os pacientes com CTEPH são elegíveis para cirurgia. Para estes pacientes, o tratamento pode incluir Adempas (um medicamento desenvolvido pela Bayer que ajuda a ampliar os vasos sanguíneos) ou BPA.
O BPA envolve o uso de um cateter para colocar um balão numa veia central. Quando o balão rebenta, as paredes dos vasos podem ser mecanicamente alargadas, e tudo o que bloqueie o fluxo normal de sangue pode ser “empurrado”.
Tanto o Adempas como o BPA visam atingir um objetivo semelhante, mas através de diferentes meios. Uma dessas estratégias de tratamento pode levar a melhores resultados do que o outro?
Para descobrir, uma equipa liderada por investigadores da Chongqing Medical University, na China, realizou uma revisão sistemática da literatura científica. Na sua meta-análise, esta equipa encontrou 17 estudos sobre o BPA e seis estudos sobre o Adempas, incluindo 631 e 823 pessoas, respetivamente, que foram submetidas a cada procedimento. Os investigadores compararam os resultados de estudos em ambas as estratégias de tratamento usando modelos estatísticos.
Os resultados mostraram que os parâmetros hemodinâmicos - incluindo a pressão média na artéria pulmonar e na aurícula direita do coração - foram reduzidos por ambas as estratégias de tratamento.
Na maioria dos parâmetros medidos, o BPA era, em média, mais eficaz (isto é, mais baixa pressão) do que Adempas. No entanto, também houve maior heterogeneidade nesses parâmetros entre os estudos de BPA; ou seja, houve uma gama mais ampla de resultados entre todos os estudos incluídos.
A única exceção entre os parâmetros hemodinâmicos foi o débito cardíaco - a quantidade de sangue que o coração pode bombear - para o qual o Adempas foi, em média, significativamente mais eficaz que o BPA (0,78 L/min contra 0,33 L/min).
Em medidas de tolerância ao exercício, incluindo a distância de caminhada de seis minutos, e da classificação de insuficiência cardíaca da New York Heart Association (NYHA), ambas as terapias foram eficazes. Mas, em média, o BPA superou o Adempas.
Ambos os tratamentos foram geralmente bem tolerados. Os efeitos secundários comuns do BPA incluíram hemoptise (tosse com sangue), edema pulmonar (líquido nos pulmões) e lesão pulmonar. Os efeitos secundários comuns do tratamento com Adempas incluíram indigestão, cefaleia, tontura, hipotensão (pressão baixa) e nasofaringite.
“A nossa meta-análise indica que o BPA e o riociguat [Adempas] melhoram os parâmetros hemodinâmicos pulmonares e a tolerância ao exercício”, concluíram os investigadores, observando que o BPA superou o Adempas, em média, na maioria dos parâmetros medidos.
No entanto, de acordo com a equipa, os "resultados precisam de ser confirmados com mais estudos multicêntricos randomizados controlados (ECRs) e estudos prospetivos observacionais".
Fonte: Pulmonary Hypertension News